segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Machado de Assis






No centenário da morte de Machado de Assis, convidamos os leitores a visitarem endereços electrónicos onde poderão importar ficheiros com a obra do autor.













sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fernando Pessoa - 120 anos




APONTAMENTOS ÍNTIMOS


Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore e até flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada, por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

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Sendo nós portugueses, convém saber o que é que somos.
a) adaptabilidade, que no mental dá a instabilidade, e portanto a diversificação do indivíduo dentro de si mesmo. O bom português é várias pessoas.
b) a predominância da emoção sobre a paixão. Somos ternos e pouco intensos, ao contrário dos espanhóis – nossos absolutos contrários –, que são apaixonados e frios.
Nunca me sinto tão portuguesmente eu como quando me sinto diferente de mim – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, e quanto mais haja havidos ou por haver.



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Fernando Pessoa - 120 anos





Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-na ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra, o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que vejo azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho –
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois –
Nada explica nem consola.


29/03/1929



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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Quarto centenário do nascimento do Padre António Vieira


Continuamos envolvidos neste projecto da comemoração do Quarto Centenário.
Na biblioteca está patente uma exposição, que irá sendo enriquecida com contributos ao longo deste mês de Fevereiro.
Destacamos os trabalhos dos alunos do 11º ano, publicados já no Blogue que criámos para o efeito.
Também gostaríamos de chamar a atenção para a exposição de livros antigos, alguns quase contemporâneos dos primeiros livros publicados por Vieira.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quarto centenário do nascimento do Padre António Vieira




A Escola Secundária da Mealhada, através da participação de alunos, professores e da equipa da biblioteca, está a contribui com a edição deste blogue para a comemoração do quadricentenário do nascimento do Padre António Vieira.
Aqui serão publicados os diversos trabalhos efectuados neste âmbito e que julgamos merecedores de divulgação.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Recomendamos


Recomendamos vivamente o sítio "Tipografia", que é da iniciativa de Paulo Heitlinger.
Este autor dedica-se ao tema da tipografia e do design gráfico, temas que desenvolve no seu livro fabuloso cuja capa reproduzimos acima.
O sítio contém informações preciosas para quem se interessa por estes assuntos e edita uma revista em versão PDF que pode ser importado directamente da internet sem custos para os destinatários. Já vai no 5º número e cada um está repleto de novidades que qualquer um pode importar livremente para o seu computador.